Minha paixão pelo Vasco da Gama sempre foi incontida, mas toda a vida tentei colocá-la longe da minha capacidade de raciocinar a respeito do desempenho do time, das más arbitragens, dos treinadores, da diretoria e da torcida do Vasco, porque vascaíno tem que ter bom senso.
Pois bem, como não sou "engenheiro de obras prontas" (depois que dá certo um monte de gente fala bem), dada a degradante situação atualmente passada pelo clube, farei uma aposta antes de qualquer um: o 2013 do Vasco será melhor do que 2012 (será que aqui o torcedor está falando mais alto do que o "comentarista", tal qual Mr. Hyde tomando conta da fala do Dr. Jekyll naquele filme dos anos 40? Rsrsrs). Vejamos:
Após a eliminação na Libertadores passada a saída de jogadores foi lamentada em demasia pela torcida e pela mídia. Claro, não menosprezo a importância dos que se foram nem o baque que isso significou, mas creio que o clube remoeu demais o assunto e se prendeu aos "mortos", esquecendo dos "vivos", fato que sempre contestei. Também fui contra a ilusão de que milhares de rodadas no G-4 signifiquem algo: de nada vale uma boa campanha se o time não conquistar campeonatos... no caso, ficamos em 5º no Brasileirão e levamos... nada!
Hoje vemos que nem as mudanças no elenco nem a falta de capacidade do então treinador – e depois de seu substituto – foram tão determinantes para a derrocada do time quanto a falta de pagamento dos salários e a balbúrdia administrativa, que tiraram do Vasco até mesmo o ídolo Juninho e ainda perigam levar outros jogadores.
É hora de sacudir a poeira, ver com quem se pode contar dentro das limitações orçamentárias e seguir adiante. Ficar lamentando a nova debandada de jogadores não nos levará a lugar algum, porque agora eles não contra nos ajudarão mais. De uma vez por todas: Fernando Prass, Juninho, Eduardo Costa, Felipe (tomara que esse saia mesmo), Fagner, Diego Souza, Rômulo, Alan, Alecsandro, Cristóvão Borges e outros são coisas do passado!
O grande problema do Vasco em 2013 será a falta de peças de substituição, porque o time não será de todo ruim. Teremos bons jogadores em cada setor do campo: Michel Alves é um goleiro razoável, como era Fernando Prass (esse eu achei que não nos deixaria e foi o primeiro a sair...) quando chegou; na defesa Dedé (nosso capitão em 2013) e Douglas; no meio Fillipe Bastos, Sandro Silva, Wendel, Bernardo e Carlos Alberto podem render, desde que comprometidos; no ataque ficará o agora recuperado Tenório, que terá o auxílio de Zé Eduardo (recuso-me a usar o apelido "Zé Love"). Não é um time de se jogar fora.
Se não houver empecilho nem quebra do trabalho até agora desenvolvido, a parceria entre Renê Simões, Ricardo Gomes e Gaúcho tem tudo para dar certo: embora falastrão, Renê é sensato e está tentando implantar uma política de austeridade; Gomes entende tudo de futebol e ganhou nosso último título, a Copa do Brasil; Gaúcho (a quem vejo como auxiliar técnico) tem décadas de dedicação ao Vasco e fará a parte que Gomes não pode fazer por problemas físicos. Compete à diretoria pagar os salários dos jogadores em dia, claro.
Sei que os pessimistas de plantão e os infiéis estão dizendo que brigaremos para não cair para a segunda divisão, mas creio que os jogadores que ficarão em São Januário terão condições de lutar pelo Campeonato Estadual e a Copa do Brasil, pelo menos: também eles querem uma vitrine para a Europa, como no ano passado. Além disso, quem lá está certamente ficará "mordido" com tudo o que tem se falado a respeito do clube e do grupo de jogadores e isso pode funcionar como combustível para a superação.
Não custa lembrar que foi logo assim que passamos o inédito vexame de perder quatro jogos seguidos no Estadual para times pequenos que conquistamos a Copa do Brasil, um dos cinco títulos nacionais que temos. E Ricardo Gomes, o grande maestro da mudança de 2011, estará de novo conosco, sendo que agora desde a montagem do elenco: é preciso saber trabalhar o lado psicológico dos jogadores antes de treinar o time, pois sem objetivos bem definidos qualquer equipe vira um bando. E é preciso querer o título, não uma boa campanha.
Creio que 2013, apesar de todas as previsões tenebrosas, o Vasco terá chance de trazer para casa pelo menos um troféu (escreveu Dr. Jekyll), embora eu queira mesmo o Estadual, a Copa do Brasil e o Brasileirão (assinado: Mr Hyde).
ATUALIZAÇÃO EM 27/12/2012: coloquei aqui uma sugestão de esquema tático para o Vasco em 2013.
"Esqueça os mortos: eles não levantam mais" é um verso de Caetano Veloso em "Negro Amor",
versão feita por ele em 1977 para a canção "It's All Over Now, Baby Blue",de 1965, de Bob Dylan.