Por trabalhar na Justiça Eleitoral, evito citar nomes de políticos e/ou partidos políticos brasileiros (embora eu pudesse fazê-lo sem problema algum, pois sou um cidadão como outro qualquer: o Código de Ética do TRE/RJ não tem vedação nesse sentido, porque o fato de ser servidor público não retira minha liberdade de expressão).

terça-feira, 11 de julho de 2017

Em Campos não é obrigatório (ainda) fazer o recadastramento biométrico do título de eleitor

Muitas pessoas têm corrido à Justiça Eleitoral de Campos sem necessidade: o recadastramento eleitoral obrigatório, que terminará no dia 15/07/2017, só está ocorrendo em São João da Barra. 
Os eleitores de Campos podem fazer a biometria sem se preocupar com esse prazo: na cidade o recadastramento ainda é opcional. Quem quiser transferir o título de São João da Barra para Campos, não precisa cumprir o prazo do dia 15.
Para agendar dia e hora para fazer o título de eleitor é preciso acessar o site www.tre-rj.jus.br/agendamento.

sábado, 8 de julho de 2017

É preciso saber perder

Vergonhosa a atitude de parte da da torcida do meu Vasco da Gama após a derrota para o arquirrival, em São Januário.

O único prejudicado é o próprio Vasco, que certamente perderá alguns mandos de campo, sem contar o fato de que protagonizar cenas de violência não é bom exemplo para os novos torcedores.

A derrota faz parte do esporte: não fomos roubados, ninguém nos prejudicou, nada de errado aconteceu.

Ocorre que o outro time venceu o jogo na bola e nós, vascaínos, não podemos agir como os rivais agem, sob pena de nos igualarmos àqueles que criticamos: é preciso saber perder.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A chacun son temps: a censura travestida de democracia


Cada coisa tem seu tempo: nesta semana finalmente começaram as exibições do XXI Festival de Cinema de Pernambuco, evento marcado inicialmente para o mês de maio, mas adiado porque muitos dos participantes simplesmente retiraram suas obras do festival, em ato que recebeu na imprensa muito mais cobertura do que o próprio festival...

O motivo alegado foi um tal "direito legítimo de não compactuar com a formação de uma tribuna para o pensamento ultraconservador", já que o festival também exibiria obras que não lhes agradavam: “O Jardim das Aflições” (sobre o filósofo direitista Olavo de Carvalho) e “O plano por trás da história”, sobre o Plano Real.*

Na ocasião uma das produtoras participantes, a Novelo Filmes, justificou sua atitude com o seguinte texto, basicamente o mesmo usado por outros parlapatões para disfarçar a indisfarçável censura:

"A escolha de alguns filmes para esta edição favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao Estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016. Para nós, isso deixa claro o posicionamento desta edição, ao qual não queremos estar atrelados.

Essa gente simplesmente odeia a democracia. Só invocam a palavra quando querem justificar suas atitudes - muitas vezes as mais bizarras, intolerantes e/ou autoritárias - mas a rejeitam quando outras pessoas ousam discordar delas. Trago a seguir parte do texto "A Musa da Censura", do advogado José Paulo Cavalcanti Filho, publicado no site "Chumbo Gordo" em 22/06/2017:


"Na ditadura militar, caso fosse proibida a exibição de filme sobre um intelectual de esquerda, diriam todos que seria censura. Inclusive esses mesmos cineastas/revolucionários de agora, imagino. Já filme sobre um intelectual conservador, eles protestam. Antes, era censura. Agora, só um gesto democrático. (...) Democracia é algo diferente, senhores. É coisa séria. É a arte de conviver. Inclusive com pessoas que não pensam como a gente. Que não dizem o que gostaríamos de ouvir. Que fazem filmes, quaisquer de que sejam, diferentes do que preferimos ver." 

E, mais uma vez usando a sensatez de Cavalcanti Filho: "e se dizem defensores da democracia... Perdão, senhores, mas vão ter que escolher. Uma coisa ou outra: censores ou democratas."

* O plano econômico que na época foi satanizado pelos "progressistas", mas que acabou com a hiperinflação. Se você tem menos de 30 anos pergunte a seus pais como era comprar um pão de manhã por um preço e à noite o mesmo pão custar mais caro... ou ter que receber o salário e correr para o supermercado para fazer as compras, porque no outro dia os preços já teriam subido...

sábado, 24 de junho de 2017

Mulher-Maravilha: filmaço!

Quem tem três filhos é quase "obrigado" a gostar de super-heróis. Sempre gostei deles, mas a safra de filmes que a atual geração de crianças vem tendo à disposição é excelente e é claro que eles farão parte do imaginário infantil por muito tempo ainda. Melhor assim (na minha época eram quase que exclusivamente gibis).

O filme da Mulher-Maravilha, cuja história foi "vendida" por alguns como sendo de uma heroína que "combate o machismo" (o que deu um certo medo de ver o filme) simplesmente não fala disso e retrata a força da princesa amazona Diana, que não está preocupada em "quebrar tabus", "combater preconceitos", "empoderar a mulher" nem nada assim: ela, que é ingênua e determinada, só quer cumprir a missão de seu povo e combate a guerra, sem ficar dando lição de moral.

Com uma fotografia bem feita, música bem encaixada e um enredo interessante, embora não tenha tanta ação quanto os filmes da Marcel (que já começam na pancadaria... rsrsrsrs), Mulher Maraviha não é sonolento como Batman Vs. Superman: é um filme que vale a pena ser visto - não apenas pela beleza simples e estonteante da protagonista Gal Gadot, muito bem captada pelas lentes da direção - mas pelo conjunto da obra:

Que venha a continuação desse filmaço!

sábado, 10 de junho de 2017

A divina comédia jurídica (mais angustiado que um goleiro na hora do gol)

Uma homenagem ao recentemente falecido Belchior, que em 1978 lançou "A Divina Comédia Humana" (vídeo no fim da postagem):

Estava mais angustiado 
Que um goleiro na hora do gol
Quando o absurdo aconteceu assim 
E o bem perdeu para o mal

Aí um constitucionalista amigo meu 
Disse que desse jeito
O país não vai ser feliz direito,
Porque a Justiça é uma coisa mais profunda
Que uma petição inicial.

Aí um constitucionalista amigo meu 
Disse que desse jeito
O país não vai viver satisfeito,
Porque o Direito é uma coisa mais profunda 
Que um caminhão de provas sem igual.

Deixando a honestidade de lado
Eu quero é ficar colado 
Aos estudos noite e dia
Lendo tudo de novo 
E tentando entender a corrupção,
Que corrompe até o que não deveria 

Eu quero explicar o inexplicável 
Pode ser que eu não consiga:
Viver a divina comédia jurídica
Onde nada é correto

Ora, direis não poder usar as provas...
Certo perdeste o senso!
Eu vos direi, no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo, tempo 
E algum modo de dizer "não"
Eu me envergonho.

"Esta é uma obra de ficção, baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência."

segunda-feira, 5 de junho de 2017

É preciso dar um 'dane-se' ao politicamente correto!

O texto a seguir não é meu e sim de Marcelo Faria, presidente do Instituto Liberal de São Paulo e foi publicado ontem no site do ILISP:

"Em nome do politicamente correto, ataques terroristas são chamados pela mídia de “explosões que matam”, “vans que atropelam” e “armas que atiram”.

Em nome do politicamente correto, humoristas são perseguidos por deputados que usam o poder estatal para censurar todos aqueles que fazem o nobre trabalho de rir dos políticos.

Em nome do politicamente correto, criam-se movimentos racistas para combater o racismo, movimentos sexistas para combater o sexismo e movimentos fascistas para combater o fascismo.

Em nome do politicamente correto, deve-se poupar uma religião de guerra de críticas para evitar ser islamofóbico.

Em nome do politicamente correto, é preferível morrer como ovelha do que combater o mal de forma armada.

Em nome dos direitos liberais à vida, liberdade e propriedade, só há uma coisa a fazer: dar um f....-se ao politicamente correto e estabelecer o politicamente sincero. 

E os incomodados que se danem."

domingo, 4 de junho de 2017

Trump acerta de novo: "Precisamos parar de ser politicamente corretos"

Após mais um atentado terrorista em Londres  o terceiro em três meses, mais um reivindicado pelos extremistas do Estado Islâmico  o Presidente dos EUA, Donald Trump, soltou mais uma de suas pérolas de Lógica, baseadas na observação do mundo real (não do mundo maravilhoso dos "progressistas")Em texto publicado hoje no Twitter, disse ele (tradução livre):

"Precisamos parar de ser politicamente corretos, e tratar do negócio da segurança das pessoas. Se não ficarmos espertos, só vai piorar. 
Pelo menos 7 mortos e 48 feridos em ataque terrorista, e o prefeito de Londres diz que 'não há razão para se alarmar!'

Em 2015, no texto "Não há almoço grátis: a hipocrisia no caso dos refugiados", abordei a questão dos refugiados, então surgindo para o cenário internacional. Disse na época – e reafirmo:

"Confesso ter dificuldade para entender o porquê de os governos europeus ficarem mais preocupados em não ser chamados (erradamente) de 'xenófobos' nas redes sociais do que em realmente cuidar dos seus povos: países existem, em regra, para agrupar nações, mas a aceitação pura e simples de massas de estrangeiros num determinado território pode fazer um país entrar em colapso, exatamente porque solapa a base da... nação."

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Se o sujeito enxerga torto o Direito dá um susto: o uso legal das Forças Armadas para combater os vândalos da nação

Fotos: Diário do Poder
A imagem acima mostra parte das "manifestações" de hoje em Brasília. Sim, o que se viu não foi protesto e sim vandalismo puro, baderna, banditismo, formação de quadrilha.

Em resposta, tendo por base a Constituição e as leis do país, foi editado um Decreto para a garantia da lei e da ordem. O artigo 142 da Constituição é claro ao definir o que cabe às Forças Armadas:

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
§ 1º Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas.

A Lei Complementar exigida pela Constituição é a 97, de 1999. Leia:

Art. 15. O emprego das Forças Armadas na defesa da Pátria e na garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, e na participação em operações de paz, é de responsabilidade do Presidente da República, que determinará ao Ministro de Estado da Defesa a ativação de órgãos operacionais, observada a seguinte forma de subordinação:
 ..........
        § 1o Compete ao Presidente da República a decisão do emprego das Forças Armadas, por iniciativa própria ou em atendimento a pedido manifestado por quaisquer dos poderes constitucionais, por intermédio dos Presidentes do Supremo Tribunal Federal, do Senado Federal ou da Câmara dos Deputados.
        § 2o A atuação das Forças Armadas, na garantia da lei e da ordem, por iniciativa de quaisquer dos poderes constitucionais, ocorrerá de acordo com as diretrizes baixadas em ato do Presidente da República, após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, relacionados no art. 144 da Constituição Federal.

Traduzindo: independente de ter sido solicitado ou não o uso do Exército (ou da Força Nacional de Segurança), o uso das Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem é algo absolutamente normal e ocorreu várias vezes nos últimos anos. Compete a quem esteja na Presidência da República  de forma ponderada, razoável e proporcional, sendo essa pessoa amada ou odiada – determinar que as Forças Armadas atuem quando necessário. A imagem a seguir é de clareza solar:


O que falta é coragem para invocar o óbvio: o uso do Exército em muitos casos é uma imposição que a Constituição faz às autoridades no sentido de proteger os cidadãos de bem deste país. Em casos como o de hoje em Brasília trata-se de uma necessidade gritante, porque os verdadeiros trabalhadores não podem ter suas vidas aprisionadas por vândalos, que mais se assemelham a terroristas: eles são os únicos a lucrar com o quadro de ruína criado pelos bandidos que idolatram, que saquearam a nação e nos deixaram como herança maldita o caos ético-político-moral em que o país se encontra atualmente.

Mais fotos do caos provocado em Brasília por "ativistas profissionais", podem ser vistas no site Diário do Poder.

OBS: a primeira parte do título da postagem é um dos versos de "A Cerca",
de autoria de Samuel Rosa, Fernando Furtado e Chico Amaral
, gravada pelo Skank, em 1994.

domingo, 21 de maio de 2017

Onde não há vergonha não há governo (nem nunca haverá)

Chico Buarque é um excelente exemplo de que por vezes o artista e a pessoa estão reunidos num mesmo corpo, mas seguem caminhos diferentes. Não concordo com as opiniões politicas dele (só fala besteiras, como elogiar o MST), mas o cara é um gênio da música!

Em 1976 ele compôs "O que será", música que tem três versões, com três letras diferentes e impressionantemente bem feitas. Na parte chamada "A Flor da Terra" é evidente a crítica inteligente ao governo então posto: por incrível que pareça, 41 anos depois a crítica continua atual:

O que será, que será? 
Que andam suspirando pelas alcovas? Que andam sussurrando em versos e trovas?
Que andam combinando no breu das tocas? Que anda nas cabeças, anda nas bocas? 
Que andam acendendo velas nos becos? Que estão falando alto pelos botecos?

E gritam nos mercados que com certeza está na natureza... 

Será, que será? 
O que não tem certeza nem nunca terá...
O que não tem conserto nem nunca terá...
O que não tem tamanho... 

O que será, que será? 
Que vive nas idéias desses amantes? Que cantam os poetas mais delirantes?
Que juram os profetas embriagados? 
Que está na romaria dos mutilados? 
Que está na fantasia dos infelizes? Que está no dia a dia das meretrizes? 
No plano dos bandidos, dos desvalidos? Em todos os sentidos... 

Será, que será? 
O que não tem decência  nem nunca terá!
O que não tem censura 
 nem nunca terá! 
O que não faz sentido... 

O que será, que será? 
Que todos os avisos não vão evitar? Porque todos os risos vão desafiar... 
Porque todos os sinos irão repicar... Porque todos os hinos irão consagrar... 

E todos os meninos vão desembestar! E todos os destinos irão se encontrar!
E mesmo o Padre Eterno, que nunca foi lá...

Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo (nem nunca terá!)
O que não tem vergonha (nem nunca terá!)

O que não tem juízo...

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Meus princípios não mudam de acordo com as circunstâncias: caia quem tiver que cair!


O país assiste, estupefato, a mais uma delação feita à base de nitroglicerina: depois da Odebrecht, agora vemos a colaboração premiada dos donos da JBS, envolvendo a cúpula da República.

No momento em que o país está  e vai continuar  se passando a limpo ainda vemos autoridades mancomunadas com a corrupção, tolerando a prática de crimes e praticando outros, agindo sempre de forma contrária ao interesse público. 

Parecem ter perdido o bonde da história e não ter sentido o sinal dos tempos! Não percebem que hoje em dia "qualquer coisa que se mova é um alvo e ninguém está salvo"*: o povo já demonstrou claramente que não aceita mais o balcão de negócios com dinheiro público!

A situação é grave e pode  e deve, pelo bem do país  desaguar em renúncia ou impeachment, tendo por base a Constituição e as leis do país.

Parabenizando a Polícia Federal por sua firme atuação em defesa do país, cito Janaína Paschoal, que disse a respeito da caótica situação que se abate sobre nosso país: "CAIA QUEM TIVER QUE CAIR".

* Humberto Gessinger, em "O Papa é Pop", de 1987.
O título da postagem é uma frase do jornalista Diogo Mainardi, do site "O Antagonista"

domingo, 14 de maio de 2017

Cafuringa, Natal e Jairzinho lá na ponta, indignados

No jogo entre Manchester City e Leicester, pelo campeonato inglês, o jogador Mahrez (Leicester), conseguiu uma proeza: fez um gol de pênalti, mas este foi anulado porque ele tocou duas vezes na bola na hora do chute.

Está no Livro de Regras do Futebol (regra 14 - tiro penal):

"Procedimento: (...) o executor do tiro penal não poderá tocar na bola pela segunda vez até que esta tenha tocado em outro jogador.
(...)
Se após a execução do tiro penal o executor tocar na bola pela segunda vez (exceto com suas mãos), antes que essa tenha tocado em outro jogador será concedido um tiro livre indireto para a equipe adversária, que será executado do local onde ocorrer a infração."



Independente de ter sido o escorregão obra do acaso, o fato é que não se pode perder um pênalti assim: em decorrência disso Leicester perdeu o jogo por 2 X 1.

O título da postagem é um dos versos de "In(dig)nação" (Skank, 1992) e faz referência a pontas famosos nos anos 70: Cafuringa (do Atlético/MG, origem do apelido do capitão do penta, Cafu), Natal (do Cruzeiro) e Jairzinho (o "Furacão da Copa", pai de Jair Ventura, atual treinador do Botafogo), que atuavam em posição quase extinta no futebol moderno.

domingo, 23 de abril de 2017

Prazo para regularizar o título de eleitor em 2017: 02 de maio

Muitas pessoas têm buscado os Cartórios Eleitorais para regularizar a situação junto à Justiça Eleitoral, preocupadas com o prazo que se encerrará no dia 05 de maio. Na verdade o prazo é para quem faltou a TRÊS TURNOS DE VOTAÇÕES CONSECUTIVOS, não justificou no dia (nas próprias seções eleitorais), não justificou no prazo de 60 dias (através de requerimento ao Juiz Eleitoral) e não pagou as respectivas multas. Somente nesses casos é que a pessoa corre o risco de ter o título cancelado se não regularizar a situação até 02 de maio. 

A regra sobre o assunto está § 3º do artigo 7º do Código Eleitoral,  regulamentado pelo § 6º do artigo 80 da Resolução 21.538/03-TSE (destaquei):

Art. 80. O eleitor que deixar de votar e não se justificar perante o juiz eleitoral até 60 dias após a realização da eleição incorrerá em multa (...).
..........
§ 6º Será cancelada a inscrição do eleitor que se abstiver de votar em TRÊS ELEIÇÕES CONSECUTIVAS, salvo se houver apresentado justificativa para a falta ou efetuado o pagamento de multa, ficando excluídos do cancelamento os eleitores que, por prerrogativa constitucional, não estejam obrigados ao exercício do voto.

O que a pessoa tem que fazer é pegar o boleto em qualquer Cartório Eleitoral, pagar as multas no Banco do Brasil (R$ 3,51 por cada ausência) e levar o comprovante ao Cartório, para que tal informação seja inserida no sistema, evitando o cancelamento. A multa também pode ser tirada no site do TSE - Tribunal Superior Eleitoral. Vale informar que, por lei, o dinheiro das multas não vai para a Justiça Eleitoral e sim para os partidos políticos.

Não é o caso de se falar mais em "justificar a ausência(fiz uma postagem a respeito em 2012: leia), porque tal prazo encerrou-se em dezembro passado (exceção: quem estava no exterior no dia da eleição e retornou ao Brasil há menos de trinta dias)Não é necessário levar o título de eleitor e não é obrigatório que o eleitor compareça pessoalmente: em muitos casos uma só pessoa pega todos os boletos de sua família, leva ao banco, paga e apresenta os recibos ao Cartório, o que é absolutamente normal. Caso compareça somente para regularizar a situação não é necessário fazer agendamento no site do TRE/RJ.

Como os conceitos de "quitação" e "regularidade" são diferentes, quem não tiver votado não estará quite com a Justiça Eleitoral – e consequentemente não conseguirá a certidão que comprove tal situação, ficando assim impedido de obter passaporte, tomar posse em cargo público etc  embora o título continue regular: mesmo que o cidadão tenha faltado a dez ou mais votações não consecutivas seu título continuará regular e não será cancelado e não precisa se preocupar com o prazo de 05 de maio...

Quem quiser saber como está sua situação eleitoral deve fazer uma consulta no site do TSE, clicando aqui.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Papagaio que acompanha joão-de-barro vira ajudante de pedreiro: o futebol não pode ser politicamente correto

Trecho do livro "Guia Politicamente Incorreto do Futebol", de Jones Rossi e Leonardo Mendes Jr.
Sem perceber que a zoação entre adversários faz parte da mística do futebol e é inerente ao espetáculo e que sem ela metade da graça do esporte vai embora, parece que em breve a entrada em estádios de futebol será permitida apenas a seminaristas. Não vai demorar e, após uma provocação ou algo assim, ouviremos alguém dizer que o jogador (ou a torcida, como no caso dos gatos pingados ao lado, meme criado pela torcida do Palmeiras) estará praticando "bullying"...


Maicon imita galinha em 2017
Recentemente o jogador Maicon, do São Paulo, fez um gol no Corinthians e saiu imitando uma galinha, porque esse é um dos apelidos dos corintianos: o mundo desabou sobre o cara por causa dessa simples brincadeira. Pior: levou um cartão amarelo. Depois erradamente negou que tivesse imitado uma galinha (tem que segurar a onda)Seria o mesmo que Viola negar que imitou um porco - mascote do Palmeiras - na final de 1993 ao fazer um gol (na ocasião os corintianos gostaram!).. 

Ocorre que um jogador não precisa se arrepender de ser "zoeiro", porque isso não é crime, nem deveria ser punido pelo CBJD ou STJD
Viola imitando porco em 1993

Futebol é para ser jogado sério, com firmeza, na bola, com respeito ao adversário, como qualquer esporte. Mas na hora do gol... tem que extravasar mesmo!!!!! Se toda vez que um jogador comemorar um gol isso for considerado "desrespeitoso" e ele for punido, em breve os artilheiros terão que pedir desculpas aos adversários quando balançarem as redes... 
O fato é que esses jogadores zoaram os rivais mesmo! Só fizeram isso, nada de absurdo - até porque rivais zoam uns aos outros... p
ronto e acabou! Quem não gostar... azar!. Simples assim. 

As últimas polêmicas fabricadas:
1 - após o goleiro Weverton, do Atlético/PR, pedir à torcida do rival Paraná que falasse dele, após seu time conseguir a classificação: foi agredido pelos adversários e, pasme-se, expulso pelo árbitro;
2 - Felipe Melo, o falastrão palmeirense, disse que foi chamado de "macaco" por um uruguaio do Peñarol. Mas disse também que era coisa de jogo e que o adversário pediu desculpas, estando tudo certo entre eles em razão disso... Mesmo assim a imprensa ficou tentando vender a notícia de que teria sido racismo (na verdade seria só injúria racial)

Ora, desde que o futebol existe há provocação! Aliás, Felipe Melo, que sempre foi um mala, hoje em dia é um dos poucos que mantêm a tradição de zoar os adversários no futebol e com isso ganha admiradores. Evidentemente não pode a coisa descambar para a violência, como vira e mexe acontece (se isso ocorrer, cadeia para os bandidos). Agora: o que não tem cabimento é, a título de combater todos os males da sociedade, exigir-se do jogador de futebol e dos torcedores uma conduta puritana!

É preciso saber zoar e saber ficar quieto quando se é zoado! É preciso saber o que é só tentativa de desestabilizar o adversário do que realmente precisa ser decidido pela Justiça Desportiva. Não sendo assim o futebol passa a ser chato, um jogo 
que só pode ser praticado por colegiais, coroinhas e seminaristas, um mimimi sem fim...

Será que quando Ronaldinho Gaúcho simulou jogar uma granada na torcida do Cruzeiro ele estaria incitando a violência contra os celestes? É claro que não!  

Por que botafoguenses podem difundir charges escalpelando o índio símbolo do Colo-Colo, mas ficam ofendidinhos com postagens do rival vermelho e preto no Twitter?
Henrique Dourado
Por que motivo os "matadores" Válter, Cavani e Ronaldinho Gaúcho não poderiam comemorar seus gols imitando um "matador"? Estaria Henrique Dourado, do Fluminense, fazendo apologia às decapitações do Estado Islâmico ao fazer sinal de que cortou uma cabeça?

A FIFA já puniu federações por supostos "cânticos homofóbicos" que nunca foram especificados e eram, na verdade, apenas a torcida pegando no pé de um adversário; o Barcelona já foi punido pela UEFA por seus torcedores usarem bandeiras da Catalunha (!!!???); o Grêmio já foi eliminado da Copa do Brasil porque uma torcedora - dentre 40 mil - xingou o goleiro adversário... e por aí vai... 

Em 99, Robbie Fowler "cheirando" a linha
Como inventar tratar-se de preconceito para negar aos torcedores do Vasco a possibilidade de chamar o rival vermelho e preto (cujo nome não pronuncio) de "mulambada"? Alguém vai dizer que em 1999 Robbie Fowler praticou 'apologia ao tráfico' após "cheirar" a linha de fundo em resposta à acusação de torcedores do Everton de que ele, artilheiro do Liverpool, seria usuário de cocaína? 

Como negar aos rivais a possibilidade de chamar o Vasco de "bacalhau"? Por que o cantor que tuitou que "o Palmeiras não tem mundial" precisa ser execrado, se o Palmeiras - embora reconhecido pela FIFA - não ganhou o mundial nos moldes que os demais times nacionais venceram? 

Palmeirenses zoando R. Oliveira em 2015
Como não zoar os tricolores por causa do pó-de-arroz que seus jogadores passavam no rosto no século passado? Por que motivo a repórter certinha da ESPN (a emissora mais metida a politicamente correta de todas) tem que passar descompostura no torcedor que chamou os adversários de "bichas", como se de homofobia se tratasse, se evidentemente era zoação com os adversários? 

Ricardo Oliveira zoou o palmeirense Fernando Prass e, ao perder a final da Copa do Brasil 2015 para o Palmeiras, foi muito zoado: qual o problema???

Uma excelente definição do que ocorre hoje no futebol nos foi dada pelo filósofo
Casagrande, na Globo:

''Não se pode fazer mais nada no campo de futebol. O César (Maluco, no Palmeiras) nos anos 70 subia na grade, o Neto (nos anos 90) subia na grade, escorregava de joelho, o Viola imitou o porco, Romário fazia com o dedo para a torcida ficar quieta. Agora, o cara não pode espirrar se fizer o gol..."


segunda-feira, 20 de março de 2017

Os coitadinhos

O texto a seguir foi publicado em 25 de fevereiro de 2001 no Jornal Folha de São Paulo e é de autoria de Clóvis Rossi (adaptei):

"Anestesiada e derrotada, a sociedade nem está percebendo a enorme inversão de valores em curso. Parece aceitar como normal que um grupo de criminosos estenda faixas pela cidade e nelas fale de paz. Que paz??? Não foram esses mesmos adoráveis senhores que decapitaram ou mandaram decapitar seus próprios companheiros de comunidade durante as recentes rebeliões? 

A sociedade ouve em silêncio um juiz titular de Vara de Execuções Penais  dizer que não vai resolver nada a transferência e isolamento dos líderes das facções criminosas. Digamos que não resolva. Qual é a alternativa oferecida pelo juiz? Libertá-los todos? Devolvê-los aos presídios, dos quais gerenciam livremente seus negócios e determinam quem deve viver e quem deve morrer? 

Vamos, por um momento que seja, cair na real: os presos, por mais hediondos que tenham sido seus crimes, merecem, sim, tratamento digno e humano. Mas não merecem um micrograma que seja de privilégios, entre eles o de determinar onde cada um deles fica preso.

Há um coro, embora surdo, que tenta retratar criminosos como coitadinhos, vítimas do sistema. Calma lá! Coitadinhos e vítimas do sistema, aqui, são os milhões de brasileiros que sobrevivem com salários obscenamente baixos (ou sem salário algum) e, não obstante, mantêm-se teimosamente honestos. Coitadinhos e vítimas de um sistema ineficiente, aqui, são os parentes dos abatidos pela violência, condenados à prisão perpétua que é a dor pela perda de alguém querido, ao passo que o criminoso não fica mais que 30 anos na cadeia. 

Parafraseando Millôr Fernandes: ou restaure-se a dignidade para todos – principalmente para os coitadinhos de verdade – ou nos rendamos de uma vez à Crime Incorporation."

Atual, não?

domingo, 5 de março de 2017

O direito de não gostar: conceito não é preconceito (continuação)

A primeira parte de "Conceito não é preconceito", de 2015, está aqui.

Perguntas:
1 - Todos têm o direito de não gostar de Donald Trump, Alexandre Frota, Ivete Sangalo, Claudia Leitte, do cabelo da "Mendigata"? R: Sim, têm. 
Fernanda Lacerda,
a Mendigata
 
2 - Todos têm o direito de não gostar de Barack Obama, Eddie Murphy, Annita, Ludmilla e do cabelo de Cris Vianna? R: Sim, têm. 

O que boa parte da imprensa tem feito questão de esquecer hoje em dia é que é normal não gostar de alguém, até porque ninguém é obrigado a simpatizar com quem quer que sejaEu, por exemplo, gosto muito do Trump, concordo com algumas ideias (e discordo de outras) do Frota, sou apaixonado por Ivete Sangalo, morro de rir com Eddie Murphy, não suporto Claudinha, não gosto de Anitta e Ludmilla (essas moças não cantam!). Quanto ao cabelo, acho o de Cris Vianna tão lindo quanto ela e penso que o da também linda "Mendigata" a deixa horrorosa

Cris Vianna
Os problemas sobre o tema são intencionalmente criados pela imprensa, de forma seletiva, direcionada a criar polêmica mesmo: quando alguém resolve não gostar de Jean Willys, Barack Obama, do MST ou de Maju Coutinho (atual moça do tempo do JN) corre sério risco de que a gritaria generalizada troque o foco do assunto para "preconceito", "discriminação", "racismo" ou até "fascismo", quando é apenas "gosto". 

Ora, se nada disso é cogitado quando alguém detesta Alexandre Frota ou Olavo de Carvalho, por que se fala disso quando alguém não suporta Jean Willys e sua indisfarçável heterofobia, travestida de 'defesa de igualdade'? Quem não gosta do cabelo da Mendigata tem 'opinião', mas quem não gosta do cabelo de Ludmilla é 'racista'? Gabriel O Pensador apenas exerceu sua liberdade de expressão quando gravou o sucesso "Lôraburra", mas seria acusado de racismo se cantasse versos praticamente idênticos, mas cujo refrão fosse "Nêgaburra": é essa paranoia que não tem explicação!

Quem não gosta da família tradicional pode defender "novas formações familiares": isso é garantido pela democracia. Mas por que motivo é hoje tão arriscado defender a família como Deus fez? Por que motivo os defensores da "nova família" tratam toda e qualquer discordância como absurda, preconceituosa ou inaceitável? O jogo democrático é via de mão dupla e não cabe a um dos lados exercer uma pretensa superioridade moral, como faziam os black blocks e mais recentemente os vândalos de Berkeley.

Em 2015 o craque Yayá Touré* falou à France Football sobre os jogadores africanos:

"Africanos têm tendência a afrouxar. Vivem num mundo próprio. Acham que já conseguiram, que são os melhores, os mais fortes. Não entendem que existem muito mais montanhas para subir até chegar ao topo. Infelizmente, só veem o lado bom do trabalho: as garotas, as festas, os carros e as roupas. E desistem rápido demais da ideia de alcançar os melhores jogadores. Muitos estão contentes com pouco. Mandam dinheiro para casa e estão seguros pelos próximos anos. Tenho o sentimento de que se proíbem de sonhar alto, com uma resignação fatalista. Acreditam que o máximo nível não é para eles".

Trata-se da opinião dele, que não concorda com o jeito que seus conterrâneos encaram os desafios do futebol: nada demais. Mas o que aconteceria se alguém tão por dentro do futebol quanto o africano Touré – mas que fosse branco e louro como David Beckham – dissesse a mesmíssima coisa? Também não deveria haver questionamento algum, mas alguém duvida de que o mundo desabaria sobre ele, com acusações de racismo, manifestações, petições on-line, perda de contratos, "desconvites" para eventos etc? Ou será que Touré, por ser negro, tem direito de falar o que bem entender e Beckham, por ser branco, não o tem?

No artigo intitulado "Fim de Papo", Rodrigo Constantino disse:

George Orwell descreveu em “1984” o inferno que seria viver num mundo dominado pelo “Grande Irmão” (...) O que ele não poderia ter previsto é um mundo dominado não por um, mas por milhões de “pequenos irmãos”, todos atentos a cada comentário nas redes sociais, para verificar se estamos seguindo de perto a cartilha do politicamente correto. Essa patrulha demonstra um grau de intolerância com as divergências diametralmente oposto ao grau de tolerância que alega defender. Os patrulheiros falam em nome das “minorias”, desejam salvar o planeta, combatem todo tipo de preconceito e amam todos, desde que se encaixem exatamente no perfil “correto” que eles mesmos possuem. Desviou uma vírgula, fogo no herege!

Em "O Direito de Ser Incorreto", o indefectível Alexandre Garcia escreveu sobre o Brasil:

"Os governos (...) foram separando os brasileiros por cor da pele, por etnia e por preferências sexuais. Sempre pensei que todos fôssemos brasileiros.  Agora só posso bater boca com alguém que tenha a mesma cor ou os mesmos cabelos que eu, ou o mesmo peso, ou vão me acusar de preconceituoso.

Após ser virtualmente linchada e ameaçada de morte, estupro e espancamento por ter dito não ter certeza de que bicicletas seriam uma alternativa viável de transporte em São Paulo, Mônica Waldvogel publicou na Folha de São Paulo o artigo "Máxima Culpa":
Ativistas de qualquer causa estão sempre atentos e bem municiados. A barafunda de argumentos, ofensas e desqualificações com que atacam é tão avassaladora que a retratação do pecador é inócua. Tornar alguém um saco de pancadas pela maior duração possível é o modo de operar da luta política no século 21. (...) Ativistas parecem lutar por um direito intangível e inacessível: o de não serem ofendidos pela opinião dos outros. Esse é um mundo impossível. 
O que poucos têm se lembrado é que desde que a pessoa não ofenda ninguém nem incite a violência contra quem quer que seja, nenhuma lei, de nenhum país, jamais vai poder proibir as pessoas de exercerem o direito de não gostar, ainda que os ativistas mimados e desocupados não gostem disso: eles têm o direito de não gostar (o mesmo que a democracia lhes garante e que eles  se dizendo tolerantes  negam a quem deles discorda  em clara atitude de intolerância).

*Um dos africanos de maior destaque no futebol mundial nesta década,
eleito quatro vezes o melhor jogador da África, que joga no meu Manchester City.