Por trabalhar na Justiça Eleitoral, evito citar nomes de políticos e/ou partidos políticos brasileiros (embora eu pudesse fazê-lo sem problema algum, pois sou um cidadão como outro qualquer: o Código de Ética do TRE/RJ não tem vedação nesse sentido, porque o fato de ser servidor público não retira minha liberdade de expressão).
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de julho de 2017

"Homem-Aranha de Volta ao Lar": um filme horrível!

Filme de super-herói tem que ter ação, tiro, porrada e bomba, como diria aquela pensadora moderna. Não é o que se vê em "Homem-Aranha de Volta ao Lar": além de retratar um Peter Parker errático demais para o que sempre se viu do personagem, a história é fraca e o enredo é desconexo. Nos anos 80 o que se via na TV era um Aranha convicto, firme, decidido, heroico, mas hoje em dia Parker é simplesmente um idiota., não é mais uma pessoa com conflitos inerentes à sua idade.

Não é mostrado no filme o famoso "sentido aranha". A paixão de Peter Parker agora se chama Liz, que ninguém sabe de onde saiu e também não é bem interpretada. Há uma personagem ativista que não contribui em nada para a história (só manda mensagens politicamente corretas tipo "eu me recuso a entrar num lugar construído por escravos"... como assim?). Inventaram uma roupa mega-tecnológica que faz tudo sozinha e deixa o Homem-Aranha ser mais parecido com o Homem-de-Ferro do que com ele próprio. Quando se vê sem sua vestimenta, ele simplesmente usa uma roupa de casa horrorosa azul e vermelha, com um capuz todo torto (mas não antes de ter o traje e sim depois)... 

Um dos heróis mais famosos de todos os tempos merecia um filme melhor: como ocorreu no fraquíssimo "Batman Vs Superman", o espectador fica o tempo inteiro esperando o ponto alto do filme, mas ele simplesmente não ocorre. Interessante notar que o personagem principal é simplesmente engolido pelos coadjuvantes Homem-de-Ferro e Abutre (Robert Downey Jr e Michael Keaton): toda hora o bisonho Homem-Aranha é salvo por Tony Stark e derrota o vilão num lance de sorte (sem querer mesmo), levando a fama pelo que não fez. Simplesmente não é o Aranha que conhecemos!

Como nos filmes da Marvel, há cenas pós-créditos (que as crianças chamam de "finalzinho"). Não só uma, mas duas: a segunda é melhor do que todo o resto do filme e é o que mais vale a pena ver.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A chacun son temps: a censura travestida de democracia


Cada coisa tem seu tempo: nesta semana finalmente começaram as exibições do XXI Festival de Cinema de Pernambuco, evento marcado inicialmente para o mês de maio, mas adiado porque muitos dos participantes simplesmente retiraram suas obras do festival, em ato que recebeu na imprensa muito mais cobertura do que o próprio festival...

O motivo alegado foi um tal "direito legítimo de não compactuar com a formação de uma tribuna para o pensamento ultraconservador", já que o festival também exibiria obras que não lhes agradavam: “O Jardim das Aflições” (sobre o filósofo direitista Olavo de Carvalho) e “O plano por trás da história”, sobre o Plano Real.*

Na ocasião uma das produtoras participantes, a Novelo Filmes, justificou sua atitude com o seguinte texto, basicamente o mesmo usado por outros parlapatões para disfarçar a indisfarçável censura:

"A escolha de alguns filmes para esta edição favorece um discurso partidário alinhado à direita conservadora e grupos que compactuaram e financiaram o golpe ao Estado democrático de direito ocorrido no Brasil em 2016. Para nós, isso deixa claro o posicionamento desta edição, ao qual não queremos estar atrelados." 

Essa gente simplesmente odeia a democracia. Só invocam a palavra quando querem justificar suas atitudes - muitas vezes as mais bizarras, intolerantes e/ou autoritárias - mas a rejeitam quando outras pessoas ousam discordar delas. Trago a seguir parte do texto "A Musa da Censura", do advogado José Paulo Cavalcanti Filho, publicado no site "Chumbo Gordo" em 22/06/2017:


"Na ditadura militar, caso fosse proibida a exibição de filme sobre um intelectual de esquerda, diriam todos que seria censura. Inclusive esses mesmos cineastas/revolucionários de agora, imagino. Já filme sobre um intelectual conservador, eles protestam. Antes, era censura. Agora, só um gesto democrático. (...) Democracia é algo diferente, senhores. É coisa séria. É a arte de conviver. Inclusive com pessoas que não pensam como a gente. Que não dizem o que gostaríamos de ouvir. Que fazem filmes, quaisquer de que sejam, diferentes do que preferimos ver." 

E, mais uma vez usando a sensatez de Cavalcanti Filho: "e se dizem defensores da democracia... Perdão, senhores, mas vão ter que escolher. Uma coisa ou outra: censores ou democratas."

* O plano econômico que na época foi satanizado pelos "progressistas", mas que acabou com a hiperinflação. Se você tem menos de 30 anos pergunte a seus pais como era comprar um pão de manhã por um preço e à noite o mesmo pão custar mais caro... ou ter que receber o salário e correr para o supermercado para fazer as compras, porque no outro dia os preços já teriam subido...

sábado, 24 de junho de 2017

Mulher-Maravilha: filmaço!

Quem tem três filhos é quase "obrigado" a gostar de super-heróis. Sempre gostei deles, mas a safra de filmes que a atual geração de crianças vem tendo à disposição é excelente e é claro que eles farão parte do imaginário infantil por muito tempo ainda. Melhor assim (na minha época eram quase que exclusivamente gibis).

O filme da Mulher-Maravilha, cuja história foi "vendida" por alguns como sendo de uma heroína que "combate o machismo" (o que deu um certo medo de ver o filme) simplesmente não fala disso e retrata a força da princesa amazona Diana, que não está preocupada em "quebrar tabus", "combater preconceitos", "empoderar a mulher" nem nada assim: ela, que é ingênua e determinada, só quer cumprir a missão de seu povo e combate a guerra, sem ficar dando lição de moral.

Com uma fotografia bem feita, música bem encaixada e um enredo interessante, embora não tenha tanta ação quanto os filmes da Marcel (que já começam na pancadaria... rsrsrsrs), Mulher Maraviha não é sonolento como Batman Vs. Superman: é um filme que vale a pena ser visto - não apenas pela beleza simples e estonteante da protagonista Gal Gadot, muito bem captada pelas lentes da direção - mas pelo conjunto da obra:

Que venha a continuação desse filmaço!